domingo, 28 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Dia 481
Primeiramente queria pedir desculpas aos leitores destas rubricas (se é que existe alguém que leia esta treta) por ter acabado o último texto como acabei ...sei que peca por tardio, mas temos pena, mais vale tarde do que nunca e também só hoje é que me deu vontade de escrever novamente.
Bem, estes últimos 6 dias foram bastante complicados principalmente resultante dos efeitos secúndarios de estar a retirar Xanax, mas também devido a uma nova questão que apareceu repentinamente na minha vida: deverei ou não aceitar trabalhar na nova Zara das Amoreiras?
Sei que esta dúvida pode parecer totalmente descabida tendo em conta os tempos em que vivemos e a situação de certas pessoas que procuram um trabalhar há anos ...parecerá ainda mais parva quando vos disser que há uma semana estava desejoso de ser seleccionado e portanto ser um dos escolhidos para trabalhar na estreante Zara das Amoreiras.
Então e vocês, caros leitores fantasmas, perguntam: mas então o que mudou?
Pois bem, o que mudou ou, mais exactamente, o que ME mudou foi a minha família, mais precisamente os meus pais e os meus avós paternos.
Pois é, tenho uns avós paternos fodidos, um pai que nunca acreditou que estivesse doente e uma mãe sobrecarregada de trabalho até às pontas dos cabelos e por isso, por muito esforço que ela faça (e acreditem, ela é uma super-mulher!), pouco tempo tem para me ouvir, apesar de ter sido ela quem mais me apoiou na doença.
São eles que metem as minhas ideias confusas desde que eu me lembro que existo, poucas vezes os meus pais convergem na maneira de pensar com os meus avós paternos (e vice-versa).
Os meus avós paternos, Maria Ilda e Acílio, são meus padrinhos de baptismo e por isso, apesar de terem uns impressionantes 18 netos(!!!), eu sou aquele de quem eles se mais se preocupam, sou aquele com quem eles têm uma maior ligação e um maior carinho, mas consequentemente sou também aquele que leva a toda a hora na cabeça. Portanto ao longo deste anos em vez de evitar ir visitá-los, porque saberia que isso iria causar-lhes uma mágoa enorme (principalmente porque sou praticamente o único neto a ir vê-los...) decidi criar um mecanismo para que quando eles começassem a refilar automaticamente a minha cabeça fizesse «off» ...e assim só vejo o bigode do meu querido avô ou os lábios da minha avó a mexerem-se não emitindo qualquer som, o que obviamente faz com que eu me ria, brinque com eles e diga sempre que "sim sim" com um sorriso enorme na cara.
Mas infelizmente, para muito desagrado meu, ainda não consegui criar esse mecanismo para o meu pai.
O meu pai de nome José Luís é um grande homem, não tanto de estatura, mas sim de pensamento e espírito. Para mim só tem um defeito: o seu cepticismo no que diz respeito a depressões. Se não fosse isso ele seria praticamente um homem perfeito.
Desde o princípio da minha depressão que a relação entre mim e o meu pai ficou um pouco mais acesa a nível de picardias e discussões.
Ele, com toda a sua legitimidade, quer que o filho mais velho seja um exemplo cá para casa e que acima de tudo retribua todo o suor e dinheiro gasto em todos os meus anos de educação (porque ao contrário do Dr. Gaspar não foi o País que me deu muito, mas sim os meus Pais), mas a realidade é que estes últimos 3anos fiquei incapacitado de conseguir fazer o que fosse e por isso, para o meu pai, eu era quase como se fosse um monte de merda que estava em casa e que não servia para mais nada do que deixar a casa a cheirar mal, e sendo assim, ele em vez de pensar que aquela merda já tinha sido algo de valioso antes, pensava somente que a merda estava a afectar a casa e por isso dizia à merda para se "desenmerdar" ..o problema é que a merda, em vez de se desenmerdar, ficava cada vez mais na merda e o problema foi-se tornando cada vez maior.
O problema da depressão, entre mim e o meu pai, chegou a um ponto em que depois de tantas discussões e desacordos acabou por se tornar num tabu. Neste momente nós não falamos sobre isto, nem sequer referimos o nome dessa tal doença, unicamente vamos deixando o tempo passar, um na esperança que o outro venha alguma vez a entender o que ele relamente passou, e o outro querendo que ele acabe o curso e comece a ajudar financeiramente cá em casa.
A minha mãe diz-me frequentemente que eu tenho um feitio muito parecido ao meu pai, secalhar por essa razão sou assim tão benfiquista ferranho como igualmente sou o filho que melhor me dou com ele. Sou o único que falo com ele acerca de política, futebol, do Mourinho e mais outros diversos temas, mas depois sou também aquela que mais "porrada" levo e mais "respostas" lhe dou.
Mesmo assim, e para finalizar, quero salientar que apesar dos meus avós serem "assim" e o meu pai "assado", eu amo-os com todas as minhas forças, amo-os e queria que eles vivessem para sempre, queria que fossem infinitos e que se morressem pelo menos que passado 3dias ressuscitassem ..não os imagino sem eles. A minha mãe é, e será, sempre a mulher da minha vida, não há ninguém tão pura, tão dedicada e tão disponível como ela ...ela é a minha beata favorita! E o meu Pai é o homem que eu mais admiro, é aquele homem de quem eu gostaria no futuro a nível pessoal e intlectual. Ele está sempre a ler e sempre a informar-se, tem uma cultura geral super vasta e abdicou de muitos luxos para dar todas as coisas aos seus filhos. Mas acima de tudo ele é fiel à minha mãe, e ama-a há 25anos e isso para mim ...é tudo.
Bem, estes últimos 6 dias foram bastante complicados principalmente resultante dos efeitos secúndarios de estar a retirar Xanax, mas também devido a uma nova questão que apareceu repentinamente na minha vida: deverei ou não aceitar trabalhar na nova Zara das Amoreiras?
Sei que esta dúvida pode parecer totalmente descabida tendo em conta os tempos em que vivemos e a situação de certas pessoas que procuram um trabalhar há anos ...parecerá ainda mais parva quando vos disser que há uma semana estava desejoso de ser seleccionado e portanto ser um dos escolhidos para trabalhar na estreante Zara das Amoreiras.
Então e vocês, caros leitores fantasmas, perguntam: mas então o que mudou?
Pois bem, o que mudou ou, mais exactamente, o que ME
São eles que metem as minhas ideias confusas desde que eu me lembro que existo, poucas vezes os meus pais convergem na maneira de pensar com os meus avós paternos (e vice-versa).
Os meus avós paternos, Maria Ilda e Acílio, são meus padrinhos de baptismo e por isso, apesar de terem uns impressionantes 18 netos(!!!), eu sou aquele de quem eles se mais se preocupam, sou aquele com quem eles têm uma maior ligação e um maior carinho, mas consequentemente sou também aquele que leva a toda a hora na cabeça. Portanto ao longo deste anos em vez de evitar ir visitá-los, porque saberia que isso iria causar-lhes uma mágoa enorme (principalmente porque sou praticamente o único neto a ir vê-los...) decidi criar um mecanismo para que quando eles começassem a refilar automaticamente a minha cabeça fizesse «off» ...e assim só vejo o bigode do meu querido avô ou os lábios da minha avó a mexerem-se não emitindo qualquer som, o que obviamente faz com que eu me ria, brinque com eles e diga sempre que "sim sim" com um sorriso enorme na cara.
Mas infelizmente, para muito desagrado meu, ainda não consegui criar esse mecanismo para o meu pai.
O meu pai de nome José Luís é um grande homem, não tanto de estatura, mas sim de pensamento e espírito. Para mim só tem um defeito: o seu cepticismo no que diz respeito a depressões. Se não fosse isso ele seria praticamente um homem perfeito.
Desde o princípio da minha depressão que a relação entre mim e o meu pai ficou um pouco mais acesa a nível de picardias e discussões.
Ele, com toda a sua legitimidade, quer que o filho mais velho seja um exemplo cá para casa e que acima de tudo retribua todo o suor e dinheiro gasto em todos os meus anos de educação (porque ao contrário do Dr. Gaspar não foi o País que me deu muito, mas sim os meus Pais), mas a realidade é que estes últimos 3anos fiquei incapacitado de conseguir fazer o que fosse e por isso, para o meu pai, eu era quase como se fosse um monte de merda que estava em casa e que não servia para mais nada do que deixar a casa a cheirar mal, e sendo assim, ele em vez de pensar que aquela merda já tinha sido algo de valioso antes, pensava somente que a merda estava a afectar a casa e por isso dizia à merda para se "desenmerdar" ..o problema é que a merda, em vez de se desenmerdar, ficava cada vez mais na merda e o problema foi-se tornando cada vez maior.
O problema da depressão, entre mim e o meu pai, chegou a um ponto em que depois de tantas discussões e desacordos acabou por se tornar num tabu. Neste momente nós não falamos sobre isto, nem sequer referimos o nome dessa tal doença, unicamente vamos deixando o tempo passar, um na esperança que o outro venha alguma vez a entender o que ele relamente passou, e o outro querendo que ele acabe o curso e comece a ajudar financeiramente cá em casa.
A minha mãe diz-me frequentemente que eu tenho um feitio muito parecido ao meu pai, secalhar por essa razão sou assim tão benfiquista ferranho como igualmente sou o filho que melhor me dou com ele. Sou o único que falo com ele acerca de política, futebol, do Mourinho e mais outros diversos temas, mas depois sou também aquela que mais "porrada" levo e mais "respostas" lhe dou.
Mesmo assim, e para finalizar, quero salientar que apesar dos meus avós serem "assim" e o meu pai "assado", eu amo-os com todas as minhas forças, amo-os e queria que eles vivessem para sempre, queria que fossem infinitos e que se morressem pelo menos que passado 3dias ressuscitassem ..não os imagino sem eles. A minha mãe é, e será, sempre a mulher da minha vida, não há ninguém tão pura, tão dedicada e tão disponível como ela ...ela é a minha beata favorita! E o meu Pai é o homem que eu mais admiro, é aquele homem de quem eu gostaria no futuro a nível pessoal e intlectual. Ele está sempre a ler e sempre a informar-se, tem uma cultura geral super vasta e abdicou de muitos luxos para dar todas as coisas aos seus filhos. Mas acima de tudo ele é fiel à minha mãe, e ama-a há 25anos e isso para mim ...é tudo.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Dia475
Hoje o dia prometeu bastante, mas não passou de mesmo isso, uma esperança inútil.
A noite passada dormi relativamente bem (tendo em conta que não tomei o Xanax) e tal como vos tinha dito no texto anterior não esperava uma noite tão tranquila.
Acordei bem disposto, equipei-me e fui para o ginásio. Fiquei no ginásio quase 2horas (um recorde pessoal desde que tinha ficado doente), é que apesar de ser um cliente assíduo do ginásio (durante o este verão fui todos os dias ..mas mesmo todos!) por norma nunca fico mais de 1h20minutos, já que apesar de o ginásio me fazer bem e eu já não viver sem, continuo a achar aquilo tudo uma seca e por isso só vou lá para fazer o plano de exercícios estipulado e nada mais.
Pois bem, fiquei bastante esperançado pela manhã não só pelo o longo de tempo de treino que consegui fazer, mas também por no final no treino ter conseguido correr na passadeira durante 9minutos seguidos ..eu sei que pode parecer insignificante, mas foi uma vitória para mim! ...passo-vos a explicar:
À cerca de 2anos e pouco que vou regularmente ao ginásio, não tomo proteínas nem outras tretas para aumentar ou ajudar a definir, a única coisa que ingiro é o Cymbalda e o meu querido e amado Xanax (estes são as minhas proteínas). Então, quando fiquei doente, fiquei privado pelo o meu psicológico de conseguir fazer várias coisas que fiz outrora, como por exemplo:
- jogar futebol - só passado 1ano e meio é que comecei a conseguir aguentar 1 jogo inteiro, até aí inventava desculpas e lesões para sair da partida;
- deixei de tocar num cigarro - eu sei que parece óptimo, mas sejam lá sinceros, um cigarro depois daquele jantarzão ou numa noite especial sabe a mel ...e por isso sermos privados dos pequenos prazeres da vida, como este, é fodido;
- De ir a centros comerciais - para muitos rapazes isto é uma cena de gaja, mas eu sempre adorei roupa e centros comerciais cheios, e a partir do momento em que me apercebi que já não aguentava mais estar em grandes zonas urbanas (já que entrava em pânico) fui-me muito abaixo ..e ainda tentei ir umas vezes ao Colombo, mas a segunda vez que tentei ir, saí de lá a chorar baba e ranho por não aguentar com o barulho.
- Por último (já que hoje estou sem pachorra para dar mais exemplos) é ir ao ginásio - neste momento só sou capaz de ir ao ginásio todos os dias graças à minha enorme força de vontade, porque à 2anos não era capaz sequer de meter um pé dentro de algum! Cada vez que o meu coração começava a bater um pouco mais forte devido a algum maior esforço, entrava logo em pânico e portanto daí essa minha aberração inicial a ginásios.
Bem, não me apetece hoje escrever mesmo mais, que se foda tudo, vou-me deitar.
Durmam bem
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Dia474
A noite de ontem para hoje correu-me bastante bem, não fosse um telefonema de um amigo meu acordar-me às 7h50 da manhã e teria dormido até as tantas, e provavelmente faltado à minha aula prática de MicroeconomiaI.
Por isso, e apesar de já não dormir 4horas seguidas pelo menos há 3dias, nem foi mau terem-me acordado e portanto, aos mais sensíveis, aconselho-vos a terem a mesma linha de pensamento que eu tenho levado já à algum tempo:
Por isso, e apesar de já não dormir 4horas seguidas pelo menos há 3dias, nem foi mau terem-me acordado e portanto, aos mais sensíveis, aconselho-vos a terem a mesma linha de pensamento que eu tenho levado já à algum tempo:
Não se deixem chatear no momento e evitem resmungar logo ao acordar, primeiro porque há coisas que vêm por bem (e isso provavelmente só se irão aperceber no final desse dia) e por último, não desperdicem a vossa vida, muito menos a refilar ...a sério, temos uma passagem tão curta neste vasto mundo e a chegada da "nossa hora" é tão imprevisível que devemos aproveitá-la ao máximo divertindo, chorando, amando os outros e recebendo amor e desamor em troca.
De resto, tenho que admitir que desde há uma semana para cá tenho andado ligeiramente preocupado, é que comecei a ter umas certas "impressões" dentro da minha cabeça, sei que soa estranho, mas não sei mais nenhuma maneira de a descrever ..é quase como se tivéssemos uma mosca zumbindo dentro do nosso crânio o dia inteiro, mas que na realidade não há mosca nenhuma, só o zumbido. E este zum-zum tem perdurado pelo menos há 7dias.
Esta situação recorda-me os dias iniciais do meu primeiro ano da minha depressão (aquele ano em que rejeitei qualquer tratamento, lembram-se?). Pois bem, no principio desse mesmo ano, logo depois de eu ter "rebentado" com todo o meu sistema nervoso (e que na altura ainda não fazia a mínima ideia do que se passava comigo) comecei também a ter estes zumbidos (creio que na altura era um pouco mais fortes) e não só me metiam ainda mais nervoso como também me tiravam o sono durante a noite. Acima de tudo porque pensava que estava morrer e tinha 99,999999% de certezas que o que eu tinha seria um problema do foro cerebral, já que nesse mesma altura tinha sido diagnosticado um tumor maligno no cérebro a um filho de uns amigos dos meus pais, e como (e esta esqueci-me de referir no texto anterior!) eu tinha também a mania de "apanhar" as doenças dos outros, os meus pensamentos tornaram-se então em a minha cabeça ser aberta numa sala de operações e por fim, depois de muitas horas a operar sem sucesso, a morrer nessa mesma mesa (digno de um episódio do Dr.House hein?!?).
Então, e com este regresso de novo ao passado, não vos quero transparecer que sou completamente maluco e que afinal sou hipocondríaco, nada disso!!! Eu admito que tive imensas pancas, mas graças a Deus que tive esta depressão, cresci 20anos em maturidade e com isso todas as minhas merdinhas da minha cabeça, todos os meus medos e as minhas indecisões da treta desapareceram por arrasto .. assim, posso dizer de peito cheio, que sou muito mais Homem do que era à 2anos.
E deste modo, o meu objectivo disto tudo é dizer-vos para tentarem parar um pouco e seguirem aquela linha de pensamento referida acima ..e assim verão certamente que o vosso dia vos correrá melhor e que irão, principalmente, começar a aperceber-se que todas as coisas acontecem por alguma razão, seja ela qual for.
É nisto que eu quero acreditar, senão já não estaria aqui a fazer nada, é este lema que eu quero consciencializar-me para continuar a ter esperança que as coisas irão melhorar, e que estes zum-zuns são fruto da minha ansiedade (já que estou a retirar o Xanax) e que brevemente irão desaparecer :)
Sei que esta noite não deverá ser tão fácil com a anterior, mas é como eu vos digo, vivam (mas vivam à séria!!) um dia de cada vez, e "chupem" cada dia vosso de vida até ao tutano!
Até amanha.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O meu segredo - 473dias
Vou partilhar uma coisa com vocês que não costumo sequer partilhar com os meus amigos mais próximos.
Depressão, é uma palavra que para muita gente é quase como se fosse uma invenção dos dias de hoje, é para muita gente quase como uma farsa contemporâneo para as pessoas se desculparem e deixarem de fazer as coisas. Muito são os cépticos que acreditam na sua existência mas a verdade é que ela existe e anda muito bem viva por ai.
Eu antes também era assim, era tal e qual o meu pai. "a depressão é uma treta!" "os psiquiatras são para malucos" constatava eu, como se tivesse todas as certezas do mundo. Mas na realidade nada sabia eu e pouco eu sabia que vinham ai os tempos mais difíceis da minha ainda curta vida.
Pois é, depois de um 2008 intensíssimo e sem tempo quase para dormir como também sem ferias de verão e de natal, quebrei. Rebentei com o meu sistema nervoso todo e de um dia para o outro, a minha vida deixou de puder ser considerada vida e passou a ser uma autentica merda, com todas as letras dessa palavra.
Óbvio que houve muito mais factores igualmente importantes sem ser os acima referidos. Refiro-me à enorme pressão que acarreta ser o mais velho de 12 irmãos numa família de classe media-pobre, como também à na altura o meu primeiro namoro de sempre estar completamente a descansar.
Certamente que o ano de 2008 não foi um ano terrível mas foi cansativo e na minha opinião foi "a gota de água que faltava para transbordar, já que o copo estava cheio já à vários anos.
Fazendo uma rápida retrospectiva da minha vida, apesar de ter sido sempre um miúdo certinho, nunca fui um miúdo no que se refere ao psicológico Tive anorexia aos 12anos, altura em que comecei a gostar de raparigas (sempre fui uma pessoa muito pouco segura de mim e apesar de agora não o parecer, não significa que tenho desaparecido), como depois tive o síndrome de "medo de vomitar" e aposteriori o "medo de morrer engasgado" em que nestes 2 casos exagerava tanto que só de imaginar as figuras que fiz, faz-me sentir um completo anormal.
E pronto, depois de me abrir a vocês e contar os meus podres, vamos ao que essencial: fiquei doente em Fevereiro de 2009 e como tinha uma imagem totalmente estereotipada dos medicamentos e principalmente dos psicólogos e psiquiatras, recusei-me a qualquer tratamento já que pensava que conseguiria ultrapassar tudo sozinho.
Era estúpido e casmurro, e por isso tive que passar um ano fechado em casa com ataques de pânico de 10 em 10minutos (e não estou a exagerar) para perceber que tinha que ser tratado e que se continuasse assim provavelmente uns meses depois estaria a saltar da ponte. Então tive a minha primeira consulta com a psicologa a dia 18de Fev de 2010 e da psiquiatra a 3 de Março, ou seja, à 929 dias que tomo medicação mas pior de tudo, à 929 que tomo Alprazolam (genérico do Xanax).
Muita gente ja ouviu falar do Xanax, mas muito pouco gente o vício causado por esse mesmo medicamento, levando com que algumas pessoas tomem Alprazolam durante uma vida inteiro porque não são capazes de o tirar do seu dia-a-dia.
Parece maluquisse não é?!? Mas a verdade é que o Xanax é tão ou mais viciante que o próprio tabaco, é uma autêntica droga ..e como em qualquer merda droga em que ficas dependente dela, ou tentas sair e passas um mau bocado, ou desistes e arriscas-te a começares a deixar de ser tu próprio, já que ela começa-se apoderar cada vez mais de ti, até ficar dona de todo o teu pensamento e, acima de tudo, dona do teu corpo e dos teus actos.
E eu não quero isso! Apercebi-me com esta depressão que eu não controlo nadinha da minha vida, mas mesmo assim quero ser capaz de ainda conseguir controlar os meus impulsos e o meu próprio corpo! Mas principalmente, quero-me sentir livre disto tudo! Anseio acordar um dia e ter que tomar ZERO de comprimidos, seja para que treta for!!
Por essas e muito mais outras razões, sensivelmente à 1ano e 3meses comecei o meu desmame, ou seja, mais concretamente à 473dias que comecei a tentar tirar o Xanax. Nos finais dos exames do ano passado combinei com a Psiquiatra reduzir até 22 de Novembro desse mesmo ano (dia dos meus anos) a minha dose do Xanax para metade (já que estava a tomar 1mg de manhã e 1mg ao deitar) para então depois começar a reduzir no anti-depressivo ..durante esses 6meses seguintes não consegui reduzir praticamente nada e acabei por faltar à consulta do dia 22 de Novembro devido à minha enorme frustação de não ter conseguido atingir aquele objectivo que parecia "canja" e que passou a tornar-se cada vez mais numa miragem.
Nesses 6meses tinha igualmente comprometido voltar novamente em força para a Faculdade, já que tive 2 anos em que não consegui fazer nenhuma cadeira (nem sequer conseguia sair de casa) e mais um ano a tentar recompor-me fazendo 2 em 2semestres. Portanto, no inicio do ano lectivo de 2011 tinha 2 grandes objectivos na minha cabeça: 1º reduzir o Xanax para metade e 2º fazer as 6cadeiras que tinha nesse semestre, ou pelo menos 4 para ter época de setembro e conseguir acabar o curso esse ano. Fui a todas as aulas, não me lembro de ter faltado a alguma lição.
Final de Janeiro de 2012, ponto da situação: Ainda tomava 1mg de Xanax ao acordar e ao deitar e incrivelmente só passei a 3 cadeiras (só me faltou mais 1 para manter a esperança de conseguir acabar o curso nesse ano!!!).
Fiquei de rastos.
Sabia que a puta do Xanax me afectava no meu rendimento universitário já que me dava uma sonolência imensa todos os dias como também me andava a afectar a memória (sentia que às vezes me esquecia frequentemente de várias coisas e nomes), mas mesmo assim tinha conseguido estar sempre atento nas classes e inclusive ir sempre a 8h de aulas seguidas todas as 3fs.
Revoltei-me.
E no 2º semestre desisti de lutar.
Sentia-me como merda, como se tivesse perdido todas as minhas capacidades e já não soubesse fazer nada certo, e portanto no 2º semestre mal mete os pés nas aulas e não toquei sequer num livro.
Mesmo assim, com muita "caga", fiz 2 cadeiras.
Chegou o verão, e aí, um dos meus melhores verões da minha vida desde que tinha estado doente. Graças a pessoas que conheci (principalmente tu Inês, obrigado a sério.) e sem elas nunca se terem apercebido, arranjei a partir delas uma força extra que nunca tinha tido durante todo o meu inicio do desmame, em 2semanas passei à noite de 1mg para 0,5mg, (quando em quase um ano não o tinha conseguido!!) e depois foi basicamente deixar levar-me com a corrente e no fim do verão já tinha conseguido reduzir para metade tanto de manhã como à noite.
Entretanto, quando tinha pensado ter atingido finalmente o meu objectivo, fui um dia tomar café com uma amiga que já não estava com ela desde os meus 13anos! e apercebemo-nos que, tal e qual como eu, ela já tinha passado por uma situação ligeiramente semelhante (e esta é a magia da vida :) tal e qual como o Papa bento XVI disse - Deus não é intervencionista, ele não te resolve as coisas, muito pelo contrário, ele intercede por outras pessoas para te ajudar a resolver) e ao trocarmos de impressões eu disse-lhe "Bem, eu agora estou à espera de ter uma consulta com a minha psiquiatra para começar a fazer o desmame do Anti-depressivo" e ela perguntou-me "mas porque é que não continuas a tirar o Xanax?? é que quanto mais cedo tirares isso tudo melhor!" ...de repente fez-se luz na minha cabeça! ...Ela tinha razão!
Então, aqui estou eu, à 473 dias a tentar fazer o desmame do Xanax (desta vez na sua totalidade), mas desta vez novamente sozinho e de novo com a pressão da Faculdade de não ter mais margem de manobra para chumbar em qualquer cadeira, e para assim finalmente acabar o curso.
E por isso, os tempos que se avizinham são bastante complicados, principalmente porque já comecei a tentar retirar o 0,5 à noite e não me tem corrido nada bem novamente, durmo mal, acordo 4 vezes por noite completamente suado e sobressaltado e chego à faculdade completamente rebentado.
Mesmo assim não irei desistir. E como a clínica onde tinha consultas fechou com estes novos cortes (um pouco caricato eu sei) vou transformar uma parte do meu blog em espécies de desabafos do meu dia a dia do desmame. ...Acho que isto me vai ajudar, nem que seja para mandar tudo para fora :)
Beijinhos e Abraços
Bejamin Pipi
Depressão, é uma palavra que para muita gente é quase como se fosse uma invenção dos dias de hoje, é para muita gente quase como uma farsa contemporâneo para as pessoas se desculparem e deixarem de fazer as coisas. Muito são os cépticos que acreditam na sua existência mas a verdade é que ela existe e anda muito bem viva por ai.
Eu antes também era assim, era tal e qual o meu pai. "a depressão é uma treta!" "os psiquiatras são para malucos" constatava eu, como se tivesse todas as certezas do mundo. Mas na realidade nada sabia eu e pouco eu sabia que vinham ai os tempos mais difíceis da minha ainda curta vida.
Pois é, depois de um 2008 intensíssimo e sem tempo quase para dormir como também sem ferias de verão e de natal, quebrei. Rebentei com o meu sistema nervoso todo e de um dia para o outro, a minha vida deixou de puder ser considerada vida e passou a ser uma autentica merda, com todas as letras dessa palavra.
Óbvio que houve muito mais factores igualmente importantes sem ser os acima referidos. Refiro-me à enorme pressão que acarreta ser o mais velho de 12 irmãos numa família de classe media-pobre, como também à na altura o meu primeiro namoro de sempre estar completamente a descansar.
Certamente que o ano de 2008 não foi um ano terrível mas foi cansativo e na minha opinião foi "a gota de água que faltava para transbordar, já que o copo estava cheio já à vários anos.
Fazendo uma rápida retrospectiva da minha vida, apesar de ter sido sempre um miúdo certinho, nunca fui um miúdo no que se refere ao psicológico Tive anorexia aos 12anos, altura em que comecei a gostar de raparigas (sempre fui uma pessoa muito pouco segura de mim e apesar de agora não o parecer, não significa que tenho desaparecido), como depois tive o síndrome de "medo de vomitar" e aposteriori o "medo de morrer engasgado" em que nestes 2 casos exagerava tanto que só de imaginar as figuras que fiz, faz-me sentir um completo anormal.
E pronto, depois de me abrir a vocês e contar os meus podres, vamos ao que essencial: fiquei doente em Fevereiro de 2009 e como tinha uma imagem totalmente estereotipada dos medicamentos e principalmente dos psicólogos e psiquiatras, recusei-me a qualquer tratamento já que pensava que conseguiria ultrapassar tudo sozinho.
Era estúpido e casmurro, e por isso tive que passar um ano fechado em casa com ataques de pânico de 10 em 10minutos (e não estou a exagerar) para perceber que tinha que ser tratado e que se continuasse assim provavelmente uns meses depois estaria a saltar da ponte. Então tive a minha primeira consulta com a psicologa a dia 18de Fev de 2010 e da psiquiatra a 3 de Março, ou seja, à 929 dias que tomo medicação mas pior de tudo, à 929 que tomo Alprazolam (genérico do Xanax).
Muita gente ja ouviu falar do Xanax, mas muito pouco gente o vício causado por esse mesmo medicamento, levando com que algumas pessoas tomem Alprazolam durante uma vida inteiro porque não são capazes de o tirar do seu dia-a-dia.
Parece maluquisse não é?!? Mas a verdade é que o Xanax é tão ou mais viciante que o próprio tabaco, é uma autêntica droga ..e como em qualquer merda droga em que ficas dependente dela, ou tentas sair e passas um mau bocado, ou desistes e arriscas-te a começares a deixar de ser tu próprio, já que ela começa-se apoderar cada vez mais de ti, até ficar dona de todo o teu pensamento e, acima de tudo, dona do teu corpo e dos teus actos.
E eu não quero isso! Apercebi-me com esta depressão que eu não controlo nadinha da minha vida, mas mesmo assim quero ser capaz de ainda conseguir controlar os meus impulsos e o meu próprio corpo! Mas principalmente, quero-me sentir livre disto tudo! Anseio acordar um dia e ter que tomar ZERO de comprimidos, seja para que treta for!!
Por essas e muito mais outras razões, sensivelmente à 1ano e 3meses comecei o meu desmame, ou seja, mais concretamente à 473dias que comecei a tentar tirar o Xanax. Nos finais dos exames do ano passado combinei com a Psiquiatra reduzir até 22 de Novembro desse mesmo ano (dia dos meus anos) a minha dose do Xanax para metade (já que estava a tomar 1mg de manhã e 1mg ao deitar) para então depois começar a reduzir no anti-depressivo ..durante esses 6meses seguintes não consegui reduzir praticamente nada e acabei por faltar à consulta do dia 22 de Novembro devido à minha enorme frustação de não ter conseguido atingir aquele objectivo que parecia "canja" e que passou a tornar-se cada vez mais numa miragem.
Nesses 6meses tinha igualmente comprometido voltar novamente em força para a Faculdade, já que tive 2 anos em que não consegui fazer nenhuma cadeira (nem sequer conseguia sair de casa) e mais um ano a tentar recompor-me fazendo 2 em 2semestres. Portanto, no inicio do ano lectivo de 2011 tinha 2 grandes objectivos na minha cabeça: 1º reduzir o Xanax para metade e 2º fazer as 6cadeiras que tinha nesse semestre, ou pelo menos 4 para ter época de setembro e conseguir acabar o curso esse ano. Fui a todas as aulas, não me lembro de ter faltado a alguma lição.
Final de Janeiro de 2012, ponto da situação: Ainda tomava 1mg de Xanax ao acordar e ao deitar e incrivelmente só passei a 3 cadeiras (só me faltou mais 1 para manter a esperança de conseguir acabar o curso nesse ano!!!).
Fiquei de rastos.
Sabia que a puta do Xanax me afectava no meu rendimento universitário já que me dava uma sonolência imensa todos os dias como também me andava a afectar a memória (sentia que às vezes me esquecia frequentemente de várias coisas e nomes), mas mesmo assim tinha conseguido estar sempre atento nas classes e inclusive ir sempre a 8h de aulas seguidas todas as 3fs.
Revoltei-me.
E no 2º semestre desisti de lutar.
Sentia-me como merda, como se tivesse perdido todas as minhas capacidades e já não soubesse fazer nada certo, e portanto no 2º semestre mal mete os pés nas aulas e não toquei sequer num livro.
Mesmo assim, com muita "caga", fiz 2 cadeiras.
Chegou o verão, e aí, um dos meus melhores verões da minha vida desde que tinha estado doente. Graças a pessoas que conheci (principalmente tu Inês, obrigado a sério.) e sem elas nunca se terem apercebido, arranjei a partir delas uma força extra que nunca tinha tido durante todo o meu inicio do desmame, em 2semanas passei à noite de 1mg para 0,5mg, (quando em quase um ano não o tinha conseguido!!) e depois foi basicamente deixar levar-me com a corrente e no fim do verão já tinha conseguido reduzir para metade tanto de manhã como à noite.
Entretanto, quando tinha pensado ter atingido finalmente o meu objectivo, fui um dia tomar café com uma amiga que já não estava com ela desde os meus 13anos! e apercebemo-nos que, tal e qual como eu, ela já tinha passado por uma situação ligeiramente semelhante (e esta é a magia da vida :) tal e qual como o Papa bento XVI disse - Deus não é intervencionista, ele não te resolve as coisas, muito pelo contrário, ele intercede por outras pessoas para te ajudar a resolver) e ao trocarmos de impressões eu disse-lhe "Bem, eu agora estou à espera de ter uma consulta com a minha psiquiatra para começar a fazer o desmame do Anti-depressivo" e ela perguntou-me "mas porque é que não continuas a tirar o Xanax?? é que quanto mais cedo tirares isso tudo melhor!" ...de repente fez-se luz na minha cabeça! ...Ela tinha razão!
Então, aqui estou eu, à 473 dias a tentar fazer o desmame do Xanax (desta vez na sua totalidade), mas desta vez novamente sozinho e de novo com a pressão da Faculdade de não ter mais margem de manobra para chumbar em qualquer cadeira, e para assim finalmente acabar o curso.
E por isso, os tempos que se avizinham são bastante complicados, principalmente porque já comecei a tentar retirar o 0,5 à noite e não me tem corrido nada bem novamente, durmo mal, acordo 4 vezes por noite completamente suado e sobressaltado e chego à faculdade completamente rebentado.
Mesmo assim não irei desistir. E como a clínica onde tinha consultas fechou com estes novos cortes (um pouco caricato eu sei) vou transformar uma parte do meu blog em espécies de desabafos do meu dia a dia do desmame. ...Acho que isto me vai ajudar, nem que seja para mandar tudo para fora :)
Beijinhos e Abraços
Bejamin Pipi
The Economist
O tipo chama-se Marc Faber. É analista e empresário. Em Junho de 2008, quando a Administração Bush estudava o lançamento de um projeto de ajuda à economia americana, Marc Faber escrevia na sua crónica mensal um comentário com muito humor:
«O Governo Federal está a ponderar conceder a cada cidadão o montante de 600,00 $. Se o gastarmos no Walt-Mart, vai para a China. Se o gastarmos em gasolina, vai para os árabes. Se comprarmos um computador, vai para a Índia. Se comprarmos fruta, vai para o México, as Honduras ou a Guatemala. Se comprarmos um bom carro, vai para a Alemanha ou o Japão. Se comprarmos bugigangas, vai para Taiwan, e nem um centavo ajudará a economia americana. O único meio de manter esse dinheiro nos Estados Unidos é gastá-lo com putas ou cer
«O Governo Federal está a ponderar conceder a cada cidadão o montante de 600,00 $. Se o gastarmos no Walt-Mart, vai para a China. Se o gastarmos em gasolina, vai para os árabes. Se comprarmos um computador, vai para a Índia. Se comprarmos fruta, vai para o México, as Honduras ou a Guatemala. Se comprarmos um bom carro, vai para a Alemanha ou o Japão. Se comprarmos bugigangas, vai para Taiwan, e nem um centavo ajudará a economia americana. O único meio de manter esse dinheiro nos Estados Unidos é gastá-lo com putas ou cer
veja, considerando que são os únicos bens realmente produzidos aqui. Eu já estou a fazer a minha parte...»
Resposta de um economista português, igualmente de bom humor:
«Estimado Marc: Realmente, a situação dos Americanos é cada vez pior. Lamento, no entanto, informá-lo que a cervejeira Budweiser foi recentemente comprada pela brasileira AmBev. Portanto, restam somente as putas. Agora, se elas decidirem mandar o dinheiro aos filhos, ele virá diretamente para a Assembleia da República Portuguesa, aqui em Lisboa.»
Resposta de um economista português, igualmente de bom humor:
«Estimado Marc: Realmente, a situação dos Americanos é cada vez pior. Lamento, no entanto, informá-lo que a cervejeira Budweiser foi recentemente comprada pela brasileira AmBev. Portanto, restam somente as putas. Agora, se elas decidirem mandar o dinheiro aos filhos, ele virá diretamente para a Assembleia da República Portuguesa, aqui em Lisboa.»
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